O Búzio

 

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O Búzio é uma concha marinha composta de duas faces: dianteira e traseira.
A face dianteira contém uma fenda dentada de cima a baixo, a qual podemos chamar de “boca”.
Segundo a totalidade dos babalawos, é a parte falante do jogo.
A face traseira , originalmente fechada, é aberta para proporcionar o equilíbrio e a queda do búzio em duas posições, aberto e fechado, com idênticas probabilidades.
De acordo com os mitos, a adivinhação pelos búzios foi introduzida pelo Òòrísá Òsún e suas filhas são Ìyás Petebí por natureza.
Os búzios também são chamados de kaurís e já valeram como dinheiro no segundo milênio antes de Cristo.
O Jogo do Ìbò: é uma forma de prestar assessoramento ao Jogo de Búzios, tem a finalidade de decidir ou revelar o ebó, obrigações, decisões, o odú e a qualidade de Òòrísás.
O Ìbò promove uma participação mais direta entre o consulente e o jogo.
As perguntas são feitas à Orunmilá sem a interferência de Èsú.
A palavra Ìbò significa aquilo que está encoberto, oculto, e vem do verbo bò, cobrir, em razão de ato de a pessoa ter, em suas mãos fechadas, dois elementos para responder as perguntas feitas.
O Ìbò utiliza-se de uma fava ou búzio ou otás de formatos diferentes que um deles significa SIM e o outro NÂO, para pergunta feita.
Bibliografia: *José Beniste.
Há também o Jogo feito com o Obí e Orobô e o de Exú com 4 búzios que auxiliam na confirmação das jogadas.
Só podem jogar búzios, o Egbon que tem sua Cuia ou Deká ou Igbàse, o cargo de BàbálÒòrísá /Ìyálòòrísá ou Ojú Oluwò, conferidos pelo seu àse e ratificados por Orunmilá.
Oxeturá ou Òsétùwá, acompanha todas as divindades, é formado pela combinação de Otùwá e Òsé, um odú menor, 17ª e mensageiro dos Odús, muito ligado a Èsú; Òdòsú é o vigia do jogo, que observa à parte, mais que não participa diretamente no jogo, mas que pode ajudar numa indecisão.
As caídas podem variar de àse para àse, podendo haver pequenas divergências.(Babalorixá Fernando D’Osogiyan)

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Òsanyìn – Ewé

Òsanyìn

Òsanyìn é representado por uma ferramenta de ferro forjado, constituída basicamente de uma haste circundada por outras seis, tendo no mastro principal um pássaro. A sacralização da ferramenta/igbá de Òsanyìn exige do sacerdote um profundo conhecimento das folhas litúrgicas do Candomblé e das recitações mágicas, a fim de “trazer” Òsanyìn ao igbá. Sem dúvidas, o Asè de Òsanyìn é um dos maiores segredos do culto aos Òrìsàs.
Òsanyìn é originário de Ìràwò, ao contrário do que muitos pensam, é um Òrìsà masculino, sendo erroneamente chamado de “Osanha”. O Pai das folhas vive no âmago da floresta ao lado de Àrònì, que também é um exímio conhecedor dos segredos da flora selvagem. Usa um cachimbo feito da casca de “igbin” (caracol) e gosta muito de otí òyìbó (gim) e oyìn (mel). Sempre carrega nas mãos uma rama de Pèrègùn. Suas vestimentas são feitas de Ìkó (palha da costa), folhas e Àdó (pequenas cabaças).
Òssanyìn é o dono das folhas e, no Candomblé, não fazemos nada sem folhas. Isso já mostra a importância singular de Òsanyìn na nossa religião.

Abaixo, transcrevemos uma antiga história de Ifá, que narra como Òsanyìn se tornou um herbanário:

Ifá foi consultado para Òsanyìn no dia em que Olódùmarè cobriu uma cabaça e convidou a Òrúnmìlà ir descobrir-la e através da consulta ao oráculo, adivinhar o que havia dentro dela. Òsanyìn insistiu em acompanhar Òrúnmìlà, mesmo sendo aconselhado a ficar porque ele estava em dificuldade. Òsanyìn, porém, foi inflexível. Antes que eles chegassem lá, Olódùmarè tocou o sangue de sua esposa com um tecido branco de algodão, guardou em uma cabaça sobre a esteira na qual Òrúnmìlà sentaria ao consultar Ifá. Òrúnmìlà consultou Ifá e disse exatamente o que havia dentro da cabaça branca. Olódùmarè o louvou, aclamando seu poder. Òrúnmìlà, então, pediu que Olódùmarè realizasse um sacrifício. Olódùmarè concordou com o sacrifício. Òsanyìn, emocionadamente se juntou a Òrúnmìlà na procura dos materiais para o sacrifício. Enquanto estava se esforçando para ajudar a realizar o sacrifício, a faca que ele estava segurando escapou de sua mão e caiu sobre a sua perna, fazendo uma ferida muito grande. Òrúnmìlà pediu que levassem Òsanyìn para a casa de Òrúnmìlà. Òrúnmìlà o curou, mas Òsanyìn não poderia usar novamente a perna para trabalhos árduos. Òrúnmìlà teve pena dele e deu-lhe vinte folhas de Ifá para cada tipo de enfermidade, para proporcionar-lhe uma fonte de renda. Foi assim que Òsanyìn se tornou um herbolário e, posteriormente, aprofundando-se na farmacopéia.

O Grande Òrìsà das folhas,  vamos falar porque jamais devemos entrar na mata de mãos vazias, sem pagar à Òsanyìn pelas folhas que pegamos em sua morada.

Antes, porém é importante lembrar que a coleta das folhas deve ocorrer à alvorada (há exceções, nas quais as folhas devem ser colhidas à tarde ou ainda ao anoitecer).

Os “Kawé-o” (aquele que “colhe” folhas), Oníìsègùn (curandeiro) ou o Babalòsanyìn/Olóòsanyìn (sacerdote supremo do culto à Òsanyìn) devem estar de “corpo limpo”, ou seja, privados de relações sexuais e em jejum.

As folhas são sagradas e pertencem a Òsanyìn, sempre que vamos à mata devemos pagar pelo o que estamos pegando. Uma antiga história de Ifá explica que Òsanyìn sempre cobra, jamais faz nada de graça.

Os pais de Òsanyìn não lhe deram roupa após seu nascimento. Quando ele cresceu, foi para a floresta e muito aborrecido fez um trabalho contra o pai, a fim de que ele não pudesse respirar bem. Feito isso, partiu em passeio pelo mundo. O Pai de Òsanyìn ficou muito doente, muitas pessoas tentaram curar-lhe, contudo, nenhuma obteve sucesso na empreitada. Diante das tentativas inúteis, foram procurar por Òsanyìn, que já era conhecido pelo poder de suas folhas.

Quando perguntado se podia curar o pai, Òsanyìn disse que sim, entretanto falou: Meu pai é dono de uma roupa, uma calça e um gorro. Garanto que posso curar-lhe, mas ele deve me pagar com essas vestes. O pai, ofegando, consentiu em dar as roupas solicitadas. Òsanyìn então desfez o trabalho e seu pai foi curado. A partir desse dia, Òsanyìn passou a se vestir com panos, sendo que até então cobria-se apenas com suas folhas.

Òsanyìn fez, então, um trabalho para sua mãe ter dor na barriga e, novamente, saiu em passeio pelo mundo. À exemplo do ocorrido com o pai, muitos tentaram em vão curar a mãe de Òsanyìn. Diante de mais um fracasso, foram procurar por Òsanyìn. Ele disse: minha mãe tem um pano listrado, de preto, branco e vermelho, para curá-la peço em troca essa veste. A mãe enviou o pano para o filho e ficou curada.

Casa de Oxumarê

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Desvendando Logun Ede ( Ológun È̩dé̩ )

Muita coisa estranha ou inconclusiva é dita sobre Logun Ede, e ainda assim há pouca informação, seja séria ou não, sobre essa divindade. Esse texto tem o intuito de reunir algumas informações diferentes das que comummente circulam sobre esse Orixá.
Esta foto tirada por Verger mostra uma sacerdotisa de Logun que porta na mão direita uma espada cerimonial de bronze utilizada no século 19 por mulheres em suas danças. Na mão esquerda está o ofá/arco e flecha.
Enquanto a relação entre Logun e Oxum é bastante clara (como será exposto adiante), a ligação com Erinle, ou Ibualamo, não parece tão justificável assim. Embora seja comum a afirmativa que seu pai seja Erinle, um Oriki Oxum afirma outra coisa:
Orunto olufe li o bi Logun Ede. (Orunto Olufe gerou Logun Ede; tradução de Verger em Notas sobre o culto aos orixás e voduns, pág. 414)
A ligação literal com Erinle que eu consegui encontrar foi num oriki Logun colhido por Verger na cidade de Ilexá, no qual consta um epíteto em comum com o de Erinle, colhido em Ilobu pelo mesmo:
Para Logun: Ala opa fari (Ele mexe os braços fantasiosamente)
Para Erinle: Apa fari (Ele movimenta os braços com imaginação)
Quem é/foi Orunto Olufe que figura nessa cantiga de Oxum exposta por Verger?
Orunto Olufe, provavelmente o mesmo que OBALUFE ORUNTO.
Segundo Bascom “Orunto também é conhecido como rei da cidade de Ife, Obalufe, Oba Ilu Ife” Neste sentido Orunto é considerado um gvernante de Ife pré-Odudua. (trecho de ‘African notes: Volume 8’, University of Ibadan. Institute of African Studies – 1979).
Ainda de acordo com Bascom, “(Orunto…) também conhecido como “Oni do exterior, de fora” (Oni ode) porque ele governa fora do palácio. Em Ife havia chefes externos que eram responsáveis por cada distrito da cidade, Orunto em específico era primariamente responsável pelo distrito de Iremo, mas como nos tempos antigos o Oni só saía em público duas vezes ao ano durante festividades de Orisanla e Ogun, cabia a Orunto a responsabilidade pela cidade inteira no lugar do Oni (por isso era chamado de Obalufe, isto é Rei de Ife).
O porque do chefe desse distrito em particular (Iremo) ser escolhido para essa função justifica o porque Logun ser considerado um príncipe. A afirmação de que essa escolha aponta para uma linhagem anterior a Odudua que teria sido mantida dessa forma parece bem plausível já que o único contato pessoal entre o Oni e o Obalufe, que só ocorre uma vez por ano durante o festival de Edi, acontece na forma de uma batalha simulada.
Em Ijebu-Ife (local tido como a origem do Orunto, conhecido localmente como Balufo Ijaogun) ocorre uma cerimônia na qual os sacerdotes-chefe de Obalufe Orunto são identificados como pessoas que teriam possuido a terra anteriormente à ordem vigente e são eles, não o Oni ou algum sacerdote da linhagem de Odudua, que fazem as oferendas para apaziguar os deuses do solo. John Wyndham afirma em seu ‘Myths of Ife’, que o Obalufe clama ser descendente de Oxum.
A ligação entre Logun e Oxum é reforçada desde que é possível observar sua presença em mais Oriki de Oxum.
Trechos de Oriki a Oxum (Verger, Notas sobre o culto aos orixás e voduns, pag. 415):
Yeye Ologun ede obinrin Pepe bi eni se osu (Mãe de Logun ede, mulher trivial como alguem que prepara o legume osu)
Ologunede o gb(e) èru kò s(e) ayo (Ologunede, aquele que tem medo não pode tornar-se uma pessoa importante)
Na página 418 há uma cantiga (cuja tradução que consta é bem rudimentar) proveniente de Ouidah listada entre as de Oxum, mas entre parênteses está escrito “para Logun Ede”, seguem os trechos que considerei interessantes:
Nigbo ti ko yeye mi (Onde que torna mostrar minha mãe)
Mo ko nigbo Ogun ode (Eu volto a mostrar onde Ogun ode)
Kabo ti ko yeye mi (Onde que encontrar mãe minha)
Akuko nlá a bi(i) di rodo (Galo grande ele com cauda desdobrada)
Se considerada uma correspondência entre as frases (as duas ultimas são referidas como refrão), então a frase ‘Akuko nlá a bii di rodo’ refere-se ao supracitado ‘Ogun ode’.
Algumas pessoas afirmam que Logun possui ligação com Ogun, de fato são Orixás caçadores, mas além disso há um Orixá que possui forte ligação com Oxum cultuado na cidade de Oxogbo chamado Owari, ele é tido como o artesão que fabrica as jóias de cobre que Oxum usa, e
a tradição afirma que os filhos são as verdadeiras jóias de Oxum. Se as jóias são os filhos, e o fabricante dos filhos-jóias é Owari, então ele pode ser considerado o pai de Logun Ede, no Brasil existe uma divindade adorada sob o nome de Ogun Wari. Como Ogun, tanto Owari quanto Erinle são considerados artífices metalurgicos. A relação entre Erinle e Oxum se dá tambem quando o curso do rio Erinle atravessa o de Oxum em Ilobu.
Deste modo a paternidade de Logun pode variar de acordo com a região em que Oxum seja cultuada, afinal: Loogun-ede? Osun ni! (Loogun-ede? Ele é Oxum!). Tamanha a ligação entre os dois, é com essa frase que um antigo sacerdote de Oxum em Oxogbo respondeu quando indagado sobre Logun!
E quanto à característica infantil de Logun, cito duas passagens de Oriki:
Abikehin yeye tii yo gbogbo omo omi lenu (Filho mais novo da mãezinha (Oxum) que se diverte com os outros filhos das águas)
Tima l(i) ehin yeye (r)e (Encarapitado nas costas de sua mãe)
A fama de ser muito belo também consta em Oriki:
Okansoso gudugu (Ele é muito só e muito belo)
Oda d(i) ohun (Ele é belo até na voz)
Ajangolo okunrin (Homem esbelto)
Ati bitibi ilebe (Ele usa roupas finas)
O dara d(e) eyin oju (Ele é belo até nos olhos)
Okunrin sembeluju (Homem muito belo)
Com Oxossi também compartilha alguns epítetos:
Logun: Oda bi odundun (Ele é fresco como a folha de odundun)
Oxossi: A bi awo lolo (Que possui a pele fresca)
Seus animais parecem ser o leopardo e o falcão/gavião:
Ekun o b(i) awo fini (Leopardo que tem o pêlo muito belo)
Rere gbe adie ti on ti iye (O gavião pega o frango com suas penas)
Panpa bi asa asode bi ologbo (Rápido como um falcão, aquele que caça como um gato)
Por fim duas frases de seu /oriki que citam nomes de outras divindades (Orumilá e Xapanã):
Okansoso Orunmila a(wa) kan ma dahun (Somente em Orunmila nós tocamos, mas ele não responde)
O je oruko bi Soponna sos pe on Soponna e nia hun (Ele tem um nome como Soponna,
é difícil alguém mau chamar-se Soponna)
Concluo este texto com um trecho de uma tese de doutorado da PUC-SP de autoria de Maria das Graças de Santana Rodrigué, entitulada ‘Orí, na tradição dos Orixás – Um estudo nos rituais do Ile Ase Opo Afonja’, que contém uma informação que só tomei conhecimento muito recentemente:
O templo de Ifá encontra-se, na cidade de Ilé Ifé na Nigéria e no ápice do Monte Ijetí está cravado o sacrário de Ifá, e ao lado na mesma colina está o assentamento do Orixá Logun Edé. Colina encalorada devido a sua constituição rochosa a base de mica, mineral do grupo filosicato e o clima da região ser equatoriano. Lá o orixá Logun Edé é reverenciado e conhecido como o escrivão de Ifá. Durante a visita que fizemos à esse templo, perguntamos ao Sacerdote de Oxalá que nos acompanhava: __ quem é mesmo o orixá escrivão de Ifá? Ele respondeu é Logun Edé. Esse fato ocorreu em agosto de 1989.
Assim espero que esse texto sirva pra pessoas que, como eu, não se contentaram com os textos comumente veiculados na internet e até mesmo em livros sobre o Orixá Logun Ede.

Ológun È̩dé̩

 Uma exposição arquetípica.
É Guerreiro Caçador porque guerreia feito um caçador, isto é, planeja, rastreia, persegue os inimigos. Do contrário seria Caçador Guerreiro, acaso fosse um caçador que eventualmente guerreia.
O é dentre os Orixá. Orixá são as potências naturais, pristinas, as matrizes do universo cujos inimigos são os poderes de inércia, de desequilíbrio.
Ológun È̩dé̩ é a “inteligentzia bélica” Ideal.
Metamorfoseando-se sempre que é preciso ele incorpora a adaptabilidade da própria vida que é capaz de vencer as adversidades. Esta habilidade ilimitada de transformação simboliza a eficácia em todo e qualquer campo e circunstância.
Lua, leopardo, pássaros e serpentes são alguns de seus elogios, aludindo às suas qualidades de proteção, proeminência, mutação, assertividade, beleza, e prosperidade.
A shiwaju ogun / Líder na vanguarda
A gbeyin ogun / Líder na retaguarda
Apenas o valente vai na frente, e apenas o vitorioso retorna na frente!
Ologun Kin / Guerreiro Poderoso!

Texto e pesquisa: LAURA SVORAZAROVSKI

Postado no site: http://elaquecaminhasobreomar.blogspot.com.br/ Fonte (Nossos Ancestrais]

Postado por Oba Jakutà Olufinran , no grupo “Sou ketu, a nação mais Odara”