As Roupas no Candomblé Ketu/Nagô

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Já escrito este artigo de várias formas, mas sem perder a integridade, no que se refere sobre o vestuário do Candomblé, assim como dos nossos Orisás, vamos aqui, esclarecer alguns pontos da nossa Cultura, e como ela foi passada, ao longo de mais de um século de tradição.

Devemos estar atentos às hierarquias destes vestuários do Candomblé, pois muitos participantes, estão ultrapassando estes, por falta de orientação ou de conhecimento de um todo. Não podemos ignorar as tradições centenárias, de uma Religião milenar, e principalmente, a essência de cada Orisá.

Vamos apontar algumas violações que comprometem esta tradição no Candomblé, deixando assim, descaracterizado a forma de estarmos vestidos de forma correta.

  • Abiyan (Sexo Feminino):Calçolão, Saia, Camizú, Pano da Costa (na cor branco) – chamados roupas de ração*; estas roupas irão lhe acompanhar até que complete seus 7 anos de iniciados. Utilizam os fios de conta de Iemanjá e Osalá; dispensa calçados, maquiagem, brinco grandes, pulseiras e cordões. O Ojá faz parte da vestimenta, sendo que somente é utilizado quando é feito um Obí ou Borí.
  • Iyawô (até Obrigação 3 anos – Sexo Feminino):Ojá, Calçolão, Saia, Camizú, Pano da Costa (na cor branco) – chamados roupas de ração*;. Utilizam os 16 fios de contas, Mokan; dispensa calçados, maquiagem, brinco grandes, pulseiras e cordões. Algumas Casas também, já permitem que nesta Obrigação (3 anos) , tenha seu Delogun.

Para os iniciados que completam 7 anos, as roupas já poderão ser utilizadas tecidos mais compostos, não tendo a necessidade do uso mais do Mokan, e dos 16 fios de conta; poderão também calçar calçados com salto (dentro do permitido por seu Babá ou Iyá).

* Existem algumas Casas, que permitem na Obrigação de 3 anos do Iyawô, colocarem rendas finas na barra sua saia, camizu e pano da costa, e utilizar de um calçado sem salto.

  • Abiyan (Sexo Masculino):Calçolão, Blusa de Malha com Manga (na cor branco) – chamados roupas de ração*; estas roupas irão lhe acompanhar até que complete seus 7 anos de iniciados. Utilizam os fios de conta de Iemanjá e Osalá; dispensa calçados. O Ojá faz parte da vestimenta, sendo que somente é utilizado quando é feito um Obí ou Borí.
  • Iyawô (até Obrigação 3 anos – Sexo Masculino):Calçolão, Blusa de Malha com Manga (na cor branco) – chamados roupas de ração*; utilizam os 16 fios de contas, Mokan; dispensa calçados. Algumas Casas também, já permitem que nesta Obrigação, tenha seu Delogun.

Para os iniciados que completam 7 anos, as roupas já poderão ser utilizadas tecidos mais compostos, não tendo a necessidade do uso mais do Mokan, e dos 16 fios de conta; poderão também calçar calçados (dentro do permitido por seu Babá ou Iyá).

OBS: Roupas com tecidos estampados, para o Sire, serão utilizados com prévia autorização do Babá ou Iyá, após Obrigação de 3 anos.

  • Ogá: Até a sua confirmação, ele usará a mesma roupa que o Abiyan masculino. Quando já confirmado, poderá usar uma roupa mais composta.

Não fazem uso de Ojá, salvo a uma obrigação.

  • Ekéji: Até a sua confirmação, ela usará a mesma roupa que o Abiyan feminino. Quando já confirmada, poderá usar uma roupa mais composta, calçado de salto, usam Ojá, e uma toalha que carrega nos ombros, para enxugar os Orisás.

Ades, Coroas e Paramentas de Òrisás:

Deve-se ter coerência ao vestir os Òrìsàs (Os Orisás são elementos da natureza, que utilizam representações da natureza, cada um tendo sua pecurialidade); deve haver discernimento, quanto à altura dos Ades e Coroas. Deve-se sempre consultar o Babá ou Iyá da Casa, antes de adquirir.

 

Àsèsè:

Homens: Calça, Camisa de Ração (brancos) e Ojá;

Mulheres: Saia de ração e camizú e ojá (brancas);

Proibido: Brilho, Bordados, Vazados e Roupas Coloridas;

 

Bata:

A utilização da bata é restrita as autoridades femininas da Casa (Ìyákekère, Iyalasé, Ìyámaye etc) – Se todas as Ègbón usarem batas, será impossível distinguir as autoridades;

Pano de Cabeça: Autilização do Pano de Cabeça é restrita às mulheres (o Babalòrìsà “em sua casa” tem a autonomia de optar ou não pelo uso. O pano de cabeça, poderá ainda ser utilizado por homens, em obrigações internas em que o mesmo está “recebendo asè, como por exemplo Bori”);

ABAS: As abas do Pano de Cabeça, estão relacionadas ao Òrìsà da filha de Santo e a sua idade de santo (se seu Òrìsà for Oboro – masculino, você não poderá usar duas abas, sendo que essa ficou para as filhas de santo, que possuem Òrìsàs Ayabas – femininos);

Deve-se ter discernimento ao usar o Pano de Cabeças. O pano de Cabeças não é turbante com diversas voltas e de altura desmedida; seu pano de cabeça também não pode ser maior do que o da sua Ìyálòrìsà;

Pano de Costas:

Quem Pode Usar: A utilização do Pano de Costas é restrita às mulheres.

Utilização: O pano da costa deve ser colocado na altura dos seios (somente as autoridades quando estão trajadas de Bata, podem usar o pano na cintura);

 

Fios de Contas:

Africanos/Corais/Pedras: de uso exclusivo para autoridades do Candomblé e as pessoas com obrigação de sete anos (obrigações arriadas).

Saias:

Uso restrito às mulheres (homem não usa saias)

OBS: Os Orixás femininos dos Homens usam saia.

Cumprimento: A saia deve ser longa, cobrindo o calçolão (o uso de saieta é cabível somente para Òrìsàs masculinos – em mulheres);

Roupas Brilhosas: A utilização de roupas com muito brilho está condicionada à determinados Òrìsàs;

Bordados: As roupas bordadas como Rechilieu, Asa de Mosca, Roda de Quiabo e panos mais elaborados, são de uso exclusivo para autoridades e pessoas com obrigação de sete anos arriada;

Brincos e Pulseiras:

Ìyáwò de Òrìsà Oboró (Santo Masculino), Abiyan, e Iyawô (até completar 7 anos) não deve usar brincos e/ou pulseiras.

Em algumas Casas o Babá ou Iyá permitem ao Iyawô com sua obrigação de 3 anos, usar brincos e ou pulseiras.

A Casa de Òsùmàrè, assim como a Nossa Casa, pede que as pessoas reflitam sobre a essência de nossa ancestralidade, os Òrìsàs. Uma Ìyáwò aguardar a conclusão de suas obrigações, para a utilização de determinadas vestes, não a coloca inferior à ninguém, muito pelo contrário, mostra somente sua resignação por um determinado período, em obediência às regras do Candomblé pelo seu Òrìsà. O cumprimento desses interditos, confere ainda mais valor à obrigação de sete anos, em que a então ìyáwò, poderá utilizar-se de outras indumentárias, estando desta forma, em outra fase de sua missão religiosa (tornando-se uma ègbón). No Candomblé, todos os passos são galgados, assim como na vida, afinal, a criança não nasce andando, existe um processo de aprendizagem. ´

Um Ogá não pode se sentir desprezado por não se vestir como um Babalòrìsà, ele sim, deve se sentir orgulhoso em pode estar preservando a cultura dos antigos Ogá. Um Ogá vestido com Ogá, é facilmente identificado em meio a multidão. O mesmo se aplica aos Babalòrìsàs, que não podem almejar as vestes femininas, pois nesse caso, ao invés de mostrar poder e distinção, evidência sua falta de conhecimento sobre a liturgia de cada elemento utilizado. A Casa de Òsùmàrè, não tem a intenção de ditar regras, mas sim, expor seus costumes, aprendidos ao longo de gerações, divulgado e esclarecendo muitas pessoas que jamais foram orientadas sobre como se vestir no Candomblé e por isso, cometem tantos erros.

Adaptação do texto da Casa de Òsùmàrè

Considerações: Ìyá Kèkèré Mônica D’Òsóòsì – Ilé Àse Òsòlúfón-Íwìn

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