Sobre Fernando D'Osogiyan

Ingressei no candomblé 1979, fui abiyan por 4 anos e me iniciei em 24 de julho de 1983, nação Ketú/Nàgó, no Ilé Àse Òsùmàrè Rio de Janeiro, casa do Babalorixá Nilton de Òsùmàrè. Meu Babalórisá Mauro D’Omolu então na época era o Babá Kèkèré da casa, com o qual dei todas as minhas obrigações e tomei o posto de Otún, tive a Iyalórisá Yára D’Òsún como minha mãe pequena e a Ajoiè Elza D’Sàngó como Jìbònán. Assumi definitivamente o Ilé Àse Òsòlúfón-Íwìn em 30 de novembro de 2000, roça de meu tio de santo Milton de Òsòlúfón, filho de Pai Paulo D’Oyá mais conhecido por Pai Paulo da Pavuna, somos todos descendentes do Ilé Àse Òsùmàrè Araká-BA via mãe Teodora de Yemanjá. Esse ano de 2016 completo 21 anos de muita luta, trabalho e perseverança dirigindo a casa de Òsàlá, o Ilé Àse Òsòlúfón Íwìn em Guapimirim-RJ. Para maiores informações,visitas e consultas através do email: Fernando.culuchi@gmail.com. Endereço de acesso: https://ileaxeoxolufaniwin.wordpress.com

Itan de Òrúnmìlá

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Òrúnmìlá, como todos sabem veio a este mundo em forma de homem (quem sabe?), pelejou pelas terras africanas em missão dada por Olódùmarè.

Em sua vida, teve esposa e filhos e sentia-se velho, não tinha fartura, trabalho, enfim, vivia desgostoso. Olórun ouvindo as suplicas de Òrúnmìlá, deu sinais para ele procurar um Babalawo, que ao consultar Ifá, lhe indicou um ebó.

O ebó consistia em 5 cabaças abertas e sacrifício de um galo.

Cada dia uma cabaça e um galo, completando 5 dias.

Ao depositar a oferenda nas encruzilhadas, uma entidade se apossava e se alimentava da oferenda. A cada dia fortificava seu corpo espiritual até que no quinto dia, tornou-se um ser humano. As 5 cabaças fecharam e ele as carregava com ele, pois era um enviado de Olórun para cumprir a missão de oferecer-lhe as 5 cabaças citadas, Paciência, Longevidade, Fertilidade, Riqueza e Sabedoria.

No quinto dia, este homem seguiu Òrúnmìlá até sua casa. Batendo à porta, ofereceu-lhe as cabaças pedindo para que escolhesse apenas uma.

Òrúnmìlá em dúvida chamou a esposa que lhe aconselhara escolher a Fertilidade, assim poderia ter vários filhos, além dos 3 que já tinha. Não contente, chamou os filhos, que aconselharam escolher a Longevidade, assim poderia conhecer os filhos dos seus netos. Não feliz, chamou os irmãos, que lhe deram o conselho de escolher a Riqueza, assim ficaria rico e não passaria mais necessidades. Òrúnmìlá mesmo escolheria a cabaça da Sabedoria, mas mesmo assim ficou na dúvida e chamou seu melhor amigo, Èsù.

Èsù quis saber o que sua família havia escolhido e disse que a única cabaça que ninguém se interessou seria a mais importante. Então Òrúnmìlá obedeceu aos conselhos de seu amigo Èsù e disse que quem escolhesse a Cabaça da Paciência, com o tempo teria as demais cabaças juntas.

Òrúnmìlá então ficou com a Paciência.

O homem cumpriu sua tarefa e voltou para rua indo em direção ao Céu. A cada passo seu corpo físico desfazia e no caminho ao Céu uma cabaça acordou.

A primeira que acordou foi a Sabedoria.

Onde está a Paciência?

Perguntou.

Ficou na casa de Òrúnmìlá, disse ele.

Sem ela eu não volto pro Òrun.

De repente a Cabaça da Sabedoria sumiu das suas mãos.

Mais adiante, a Fertilidade acordou fazendo a mesma pergunta.

Até que todas iam acordando e sumindo, indo em direção à casa de Òrúnmìlá.

Quando chegou à porta do Òrun, a entidade estava chorando de medo, pois tinha que trazer as Cabaças de volta.

Ao entrar no Palácio de Olódùmarè, todos o esperavam, até Olódùmarè pedir para que entrasse e disse:

“Você cumpriu sua missão?”.

Sim senhor, mas todas as Cabaças sumiram das minhas mãos e voltaram para a Casa de Òrúnmìlá.

Disse Olódùmarè acalmando-o:

Sim, quem escolher a Cabaça da Paciência, terá juntado dela toda a riqueza do mundo, vida longa, fertilidade e sabedoria. Não se preocupe que sua missão foi cumprida. Agora Òrúnmìlá continuará vigiando e pondo ordem na Terra.

Esta é uma itan da qual podemos passar aos desesperados, pois com fé, com certeza Olódùmarè olhará por nós, dando-nos tudo que precisamos se tivermos conosco não a Cabaça em si, mas a paciência que morava dentro dela.

Só para enfatizar – As amigas inseparáveis.

A Paciência é a única sobrevivente e companheira da Esperança.

É necessário quase que casamento entre as duas.

Até que a morte as separe.

Lembre-se que a Dona Esperança tem vida longa.

Paciência não.

Como nós mesmos dizemos:

“A Esperança é a última que morre”.

A Paciência não.

Espero que vocês tenham a Dona Paciência como amiga e aliada, pois sem ela, muitas coisas ficarão perdidas na vida e se a dona Paciência morrer antes corremos o risco de a Esperança ir junto.

Evite que isso aconteça com você.

Pesquisa: Odé Ợlaigbo

Sacrifícios e sacrificados.

São a meu ver meros oportunistas que se arvoram a defender nossa religião sem ao menos nos ter consultado, por outro lado outros não menos autorizados promovem debates promocionais futuros em locais de notoriedade com finalidades declaradamente eleitoreiras, arvoram-se em defender algo que não compreendem e muitas vezes não praticam, nem ao menos são iniciados, porem são apoiados por Baba/Iya que por sua vês buscam a notoriedade religiosa fora da religião, em movimentos ditos de preservação ou defesa de nossa religião, quando na verdade preservam ou defendem apenas eles mesmos.

“Os nossos “INCALTOS” ou seriam “INCULTOS” defensores nem ao menos conseguem discutir de forma ‘INTELIGIVEL” o que é sacrifico e porque são feitos, muito menos a historicidade do tema, quem pratica e porque pratica atualmente aja visto que não é só as religiões de matriz africana que o praticam, muitas outras o praticam nos dias de hoje, alias de forma aberta e fartamente divulgadas pelas mídias.

Mas antes vamos ver o que temos sobre o tema:

Sua origem etimológica é sacr (de origem judaica) e a palavra latina ofício), da junção das duas palavras temos

1- Sacro oficio = aquele que pratica uma determinada religião(sacerdote), um profissional a serviço de “Deus”

2- Sacrifício = Ato de através de um animal ou produto de sua renda oferecer a Deus ou ao templo (dizimo)

1-A teologia do sacrifício permanece uma questão em aberto, não apenas para as religiões que ainda realizam rituais de sacrifício, mas também para as que não mais os praticam, ainda que suas escrituras, tradições e histórias façam menção a sacrifício de animais. As religiões apresentam diversas razões pelas quais os sacrifícios podem ser realizados.

2-Sacrifício é a prática de oferecer como alimento a vida de animais, humanos, colheitas e plantações, aos deuses, como acto de propiciação ou culto. O termo é usado também metaforicamente para descrever actos de altruísmo, abnegação e renúncia em favor de outrem.

Os deuses necessitam do sacrifício para seu sustento e para a manutenção de seu poder, que diminuiria sem o sacrifício.

Os bens sacrificiais são utilizados para realizar uma troca com os deuses, que prometeram favores aos homens em retribuição pelos sacrifícios.

A vida e o sangue das vítimas dos sacrifícios contêm mana ou asé ou outro poder sobrenatural, cuja oferenda agrada os deuses

A vítima do sacrifício é oferecida como bode expiatório, um alvo para a ira dos deuses, que de outra maneira recairia sobre todos os homens.

O sacrifício é, na verdade, parte de uma cerimonia. Por vezes é consumido pelos fiéis. Habitualmente incorpora uma forma de redistribuição em que os pobres obtêm parcela maior do que sua contribuição.

Sacrifício na Grécia Antiga

Na religião da Grécia Antiga o templo não servia de lugar ao culto onde os fiéis se reuniam para celebrar os ritos, o templo é a casa de Deus a que se consagrou. O lugar de reunião dos devotos era o altar exterior, o bomos, bloco de cantaria quadrangular onde se desenrolava o rito central da religião grega, o sacrifício

O sacrifício era de origem alimentar, envolvendo um animal doméstico como os que hoje nos servem de alimento, que seguia numa procissão ritual até ao bomos. A cabeça era cortada com uma espada curta, a machaira, que até ali estava dissimulada debaixo de cereal no cesto ritual, o kanun. O sangue que jorrava sobre o altar era recolhido num recipiente, tal como ainda se faz num açougue ou matadouro, e abria-se o animal para se examinar as entranhas, e em especial o fígado, de modo a concluir se o sacrifício era aprovado pelos deuses. No caso afirmativo, a vítima é esquartejada e dividida nas suas diversas partes, tarefa que actualmente se faz num talho. As gorduras e os ossos maiores, completamente descarnados, eram deixados no altar para serem cremados, processo pelo qual se enviava o produto sacrificial aos deuses. Alguns dos pedaços internos, os splanchna, eram grelhados em espetos neste fogo, pelos executantes do rito, e posteriormente distribuídos pelos mesmos, garantindo assim o contacto entre os deuses e os executantes do rito. O resto da carne era cozida e dividida em partes iguais para ser consumida no local, como consumação geral da festa sacrificial por todos os participantes. As peles e a língua eram entregues ao sacerdote, ou cidadão imaculado, que procedera ao sacrifício.

O que no sacrifício grego é, para os deuses, uma oferenda, para os homens é uma refeição de festa que desde a imolação ao repasto estava envolvida numa atmosfera de fausto e alegria. Toda a encenação ritual era conduzida de modo a velar quaisquer traços de violência e assassinato, para fazer ressaltar a solenidade pacífica de uma festa feliz. O animal do sacrifício não chegava a perceber qual era o seu destino e ninguém se horrorizava com o prospecto da sua morte. Ainda hoje, nos açougues industrializados, procura fazer-se a matança sem que o animal perceba, para que não liberte as toxinas produzidas pela ansiedade anterior ao golpe que o leva à morte, que infestam e muitas vezes inutilizam a sua carne. Na sociedade grega antiga não se comia outra carne que não a dos sacrifícios.

Sacrifício no Judaísmo

No Judaísmo, o sacrifício é conhecido como Korban, palavra oriunda do hebreu karov, que significa “vir para perto de Deus”.

Judeus medievais como MaimônidesMaimônides, era natural que os israelitas acreditassem que o sacrifício fosse necessário na relação entre o homem e Deus. Maimônides concluiu que a decisão de Deus de permitir sacrifícios era uma concessão às limitações psicológicas do homem. Era esperado que os israelitas passassem de sacrifícios à adoração pagã em pouco tempo.

Na Bíblia hebraica, Deus ordena que os israelitas ofereçam sacrifícios de animais no santuário, ou tabernáculo. Quando os israelitas já haviam chegado à terra de Canaã, ordenou-se que todos os sacrifícios terminassem, excepto os que aconteciam no Templo de Jerusalém. Na Bíblia, Deus pede sacrifícios como um sinal de sua aliança com povo de Israel. O sacrifício também era feito para que Deus perdoasse os pecados, uma vez que o animal estaria sendo punido no lugar do pecador.

Sacrifício no Islão

O sacrifício de um animal, em língua árabe, se diz Qurban (قُرْبَان). No entanto, a palavra possui em certas regiões uma conotação pagã. Na Índia, porém, a palavra qurbani é utilizada para o rito islâmico de sacrifícios de animais.

No contexto islâmico, o sacrifícios de um animal é comumente referido como Udhiyah (أُضْحِيَّة), significando sacrifício. Udhiyah, como um ritual, é oferecido apenas em Eid ul-Adha. Os muçulmanos dizem que isso não tem nada a ver com sangue e ferimentos (Corão 22:37: “Não é a sua carne tampouco seu sangue que alcança Alá, mas sim a sua fé que o alcança…”). O sacrifício é feito para ajudar os pobres, e para recordar o profeta Abraão que não se opunha a sacrificar o filho (de acordo com os muçulmanos, seria Ismael) a pedido de Deus. O animal a ser sacrificado pode ser um cordeiro, uma ovelha, uma cabra, um camelo ou uma vaca. Deve ser saudável e estar consciente.

O rito islâmico de sacrifício é chamado Dhabĥ . Em nome de Alá, a garganta e as veias jugulares do animal são cortadas rapidamente com faca bem afiada. A espinha dorsal e o pescoço não devem ser quebrados até que o animal pare de se mover, evitando dor ao animal. São explicitamente proibidas outras formas de sacrifício de animais como morte a pauladas, eletrocussão e perfuração do crânio com lança.

A razão por que se invoca o nome do Criador no momento do sacrifício é por alguns considerada equivalente à aceitação do direito do Criador sobre todas as criaturas. Trata-se de um tipo de permissão garantida ao autor do sacrifício, resulta em sentimento de gratidão por poder comer a carne do animal sacrificado. A carne é normalmente distribuída entre os parentes necessitados. No entanto, dependendo do propósito ou da ocasião, pode ser consumida pela pessoa que sacrificou o animal. Todos os animais devem ser sacrificados dentro das formas acima, não se importando se a carne será utilizada em comemoração religiosa ou consumo pessoal. Será então considerada Halal, e própria para consumo.

Sacrifício no Candomblé

Sacrifício – vem da palavra sacrificar que no sentido religioso é oferecer em holocausto por meio de cerimonias próprias. No candomblé, esta parte do ritual denominada de sacrifício não é propriamente secreta; porém não se realiza senão diante de um reduzido número de pessoas, todos fiéis da religião. Deve-se temer que a vista do sangue revigore, entre os não iniciados, os estereótipos sobre a barbárie ou o carácter supersticioso da religião africana.

Uma pessoa especializada no sacrifício, o Axogun, que tem tal função na hierarquia sacerdotal, é quem o realiza .O Axogun não pode deixar o animal sentir dor ou sofrer porque a oferenda não seria aceita pelo Orixá. O objeto do sacrifício, que é sempre um animal, muda conforme o Orixá ao qual é oferecido; trata-se, conforme a terminologia tradicional, ora de um animal de duas patas, ora de um animal de quatro patas, galinha, pombo, bode, carneiro. Na realidade não se trata de um único sacrifício: sempre que se fizer um sacrifício a qualquer Orixá, deve ser antes feito um para Exú, o primeiro a ser servido.

Esse sacrifício não é só uma oferenda aos Orixás. Todas as partes do animal vão servir de alimento, nada é jogado fora. O couro do animal é usado para encourar os atabaques, o animal inteiro é limpo e cortado em partes, algumas partes são preparadas para os Orixás e o restante é destinado aos demais. Tudo é aproveitado: até a porção oferecida aos Orixás é posteriormente distribuída entre os filhos da casa como o ASÉ Orixá. É usada para confraternização: unem-se os filhos a comer com o pai ou mãe, havendo repartição do Axé gerado pelo Orixá. (Acredita-se que após algum tempo que a comida esteja no Peji ela fica impregnada pelo Axé do Orixá). O sacrifício no candomblé é a renovação do Axé, feito uma vez por ano para cada Orixá da casa ou em circunstâncias especiais.

Voltando ao tema, como podemos ver acima em especial as linhas por mim sublinhadas o sacrifico ainda é praticado pela maioria das religiões ditas modernas de alguma forma, senão vejamos:

Os Judeus e os muçulmanos ortodoxos as praticam em matadouros especiais, os animais são mortos de forma ritual por um sacerdote sacrificador autorizado, como podemos ler abaixo:

“Cashrut ou kashrut (em hebraico: כַּשְרוּת), também conhecido como kashruth ou kashrus na tradição asquenazita, é o termo que se refere às leis alimentares do judaísmo. A comida, de acordo com a halachá (lei judaica) é chamada de kosher, do termo hebraico כשר (kashér), que significa “próprio” (neste caso, próprio para consumo pelos judeus, de acordo com a lei judaica). Os judeus que seguem o kashrut não podem consumir comida não-kosher, porém existem exceções quanto à utilização não-alimentícia de produtos não-kosher, como, por exemplo, numa injeção de insulina de origem porcina ministrada a um diabético.

A comida que não estiver de acordo com a lei judaica é chamada de treif ou treyf (em iídiche: טרייף, do hebraico |טְרֵפָה, transl. trēfáh). Num sentido mais técnico, treif significa “rasgado”, “dilacerado” e se refere à carne que veio de qualquer animal que contenha algum defeito que o torne impróprio para o abatimento. Um animal que tenha morrido por qualquer meio que não o sacrifício ritual é chamado de neveila, que significa literalmente “coisa suja”

Muitas das leis básicas do cashrut derivaram de dois livros da Torá, o Levítico e o Deuteronômio, com a adição dos detalhes estabelecidos pela lei oral (a Mishná e o Talmude) e codificadas pelo Shulkhan Arukh e pelas autoridades rabínicas posteriores. A Torá não afirma explicitamente o motivo da maioria das leis cashrut, e diversas razões foram apresentadas para estas leis, desde filosóficas e ritualísticas, até práticas e higiênicas.

Por extensão, a palavra kosher passou a significar “legítimo”, “aceitável”, “genuíno” ou “autêntico”, num sentido mais amplo.[1]

O islamismo também tem um sistema relacionado, embora diferente, chamado de halal, e os dois possuem um sistema comparável de sacrifício ritual (shechita no judaísmo e dhabihah no islã).

Conforme podemos observar os sacrifícios são realizados no mundo todo onde judeus e muçulmanos vivam, da mesma forma que os praticantes das religiões de matriz africana, no Brasil, existem matadouros religiosos que servem essas religiões em São Paulo e nos demais estados.

Portanto qual seria a diferença entre os sacrifícios?

Nós os praticantes de religiões de matriz africana somos diferentes?

Judeus e Muçulmanos podem sacrificar e nós não?

Segundo as leis brasileiras somos iguais perante todos ou será que não ?

Seria a religião praticada pelos Judeus e Muçulmanos considerada superior?

A proibição do sacrifico de animais no estado de São Paulo será estendido a todas as religiões ou apenas aos de matriz africana?

A igreja católica apostólica romana deixaria de comer o corpo de Cristo e beber seu sangue e distribuí-lo aos cristãos? Isso a meu ver á antropofagia ou não ?

Ao beber o vinho(sangue de cristo) durante a missa, deixaria de faze-lo na frente de crianças? Isso a meu ver é apologia ao alcoolismo, ou não ?

Vamos proibir as crianças de irem as igrejas aja visto que são o prato principal dos padres católicos no mundo todo?

Vamos proibir os incautos de irem aos templos neo-pentecostais e sacrificarem seu dinheiro ?

Senhores Deputados Estaduais e Federais, Senhores da Sociedade de Proteção aos animais, Senhores de bom senso desta terra brasilis, por favor temos tantas coisas mais importantes a fazer, vamos gastar nosso tempo com a educação, a saúde, a corrupção que assola nosso país. Deixem nossa religião em paz.

Texto: Oga Gilberto de Esu

Vice presidente do Orisa Wolrd
International Congress of Orisa Tradition an Culture

Fontes de pesquisa:

O sagrado e o Profano-Mircea Eliades

Dia Nacional da Consciência Negra

Dia Nacional da Consciência Negra
Zumbi e Princesa Isabel – liberdade aos negros

O dia 20 de novembro faz menção à consciência negra, a fim de ressaltar as dificuldades que os negros passam há séculos.

A escolha da data foi em homenagem a Zumbi, o último líder do Quilombo dos Palmares, em consequência de sua morte. Zumbi foi morto por ser traído por Antônio Soares, um de seus capitães.

A localização do quilombo ficava onde é hoje o estado de Alagoas, na Serra da Barriga.

O Quilombo dos Palmares foi levantado para abrigar escravos fugitivos, pois muitos não suportavam viver tendo que aguentar maus tratos e castigos de seus feitores, como permanecerem amarrados aos troncos, sob sol ou chuva, sem água e sofrendo com açoites e chicotadas. O local abrigou uma população de mais de vinte mil habitantes.

Ao longo da história, os negros não foram tratados com respeito, passando por grandes sofrimentos. Pelo contrário, foram escravizados para prestar serviços pesados aos homens brancos, tendo que viver em condições desumanas, amontoados dentro de senzalas.

Muitas vezes suas mulheres e filhas serviam de escravas sexuais para os patrões e seus filhos, feitores e capitães do mato, que depois as abandonavam.

As casas dos escravos eram de chão batido, não tinham móveis nem utensílios para cozinhar. As esposas dos barões é quem lhes concedia alguns objetos, para diminuir as dificuldades de suas vidas. Nem mesmo estando doentes eram tratados de forma diferente, com respeito e dignidade. Ficavam sem remédios e sem atendimento médico, motivo pelo qual inventaram medicamentos com ervas naturais, ações aprendidas com os índios durante o período de colonização.

Algumas leis foram criadas para defender os direitos dos negros, pois muitas pessoas não concordavam com a escravização. A Lei do Ventre Livre foi a primeira delas, criada em 1871, concedendo liberdade aos filhos dos escravos nascidos após a lei. No ano de 1885, criaram a Lei dos Sexagenários, dando liberdade aos escravos com mais de sessenta anos de idade.

Porém, com a Lei Áurea, assinada pela Princesa Isabel em 13 de maio de 1888, foi que os escravos conquistaram definitivamente sua liberdade.

O grande problema dessa libertação foi que os escravos não sabiam realizar outro tipo de trabalho, continuando nas casas de seus patrões, mesmo estando libertos. Com isso, a tão esperada liberdade não chegou por completo.

As oportunidades de vida que tiveram eram limitadas apenas aos trabalhos pesados, como não haviam estudado e não aprenderam outros ofícios além dos braçais, porém, alguns conseguiram emprego no comércio.

O dia da consciência negra surgiu para lembrar o quanto os negros sofreram, desde a colonização do Brasil, suas lutas, suas conquistas. Mas também serve para homenagear àqueles que lutaram pelos direitos da raça e seus principais feitos.

Na data são realizados congressos e reuniões discutindo-se a história de preconceito racial que sofreram, a inferioridade da classe no meio social, as dificuldades encontradas no mercado de trabalho, a marginalização e discriminação, tratando-se também de temas como beleza negra, moda, conquistas, etc.

Publicado por: Jussara Barros

Otito fun ayé.

Reflexão para vida.

“Você pode falar perfeitamente o Yorùbá e saber todos os acentos ao escrevê-lo também.

Mas se você não sabe como falar com bondade e amor ao seu irmão ou irmã, então, você não aprendeu nada.

Você pode memorizar cada Oriki e cada ẹsẹ Odu do Corpus Literário de Ifá e saber como lançar uma adivinhação perfeita.

Mas se você não sabe como tratar as pessoas e como superar suas formas destrutivas e negativas, você ainda é um novato no reino espiritual.

Você pode conhecer cada dança e todas as músicas além de todos os protocolos de sua linhagem.

Mas se você não pode andar por um caminho de paz e de alegria interior ….

…Isto então e apenas uma outra canção e uma outra dança.

Você pode conhecer todos os rituais, cerimônias, e como fazer milhares de obras e trabalhos espirituais.

Mas se você não pode viver o ritual da vida e viver as virtudes do Òrìşà, Egun e seu Ori, então, você é um mero técnico, mas certamente não é um mestre espiritual.

Você pode ter alguns títulos, os mais impressionantes, um ile, templo ou casa de culto para dez mil pessoas.

Mas se você sentir a necessidade de degradar, controlar, manipular os outros ou ofendê-los enquanto eles estiverem em uma posição inferior, você será apenas mais um ego de criança impulsionando e tentando tirar proveito as custas dos outros.

Você pode estar no culto toda a sua vida.

Mas se você acha que isso te faz melhor ou mais avançado do que alguém espiritualmente, então, você é um tolo, pois você não poderá reconhecer que nosso Ori é o nosso primeiro professor…

…e tem ele tem ensinando a cada um desde o nascimento.

Você pode ser velho de anos e chamar a segurança social.

Mas se você ainda viver a vida como uma criança temperamental de 10 ou 15 você ainda terá que caminhar para chegar ao sacerdócio.

Fale-me de Èşù quando você for capaz de fazer escolhas capacitadas e falar a verdade em palavras e atos.

Fale-me de Ògún quando você for capaz de romper suas próprias ilusões, enfrentar seus medos, seus fracassos e corajosamente evoluir para manifestar o melhor de si.

Fale-me de Òsún, quando você for capaz de criar harmonia, alegria e abundância em sua própria vida sem egoísmo.

Fale-me de Ợbàtálá, quando você for capaz de semear a paz mais pura e manter uma mente tranquila.

Fale-me de Òya, quando você for capaz de estar no olho do furacão da vida e fluir facilmente quando os ventos da mudança estiverem sobre você.

Fale-me de Òlòkún ou Yemojá, quando você for capaz de equilibrar suas emoções e empatia com os outros.

Fale-me de Òrúnmìlá, quando você for capaz de ver o mundo através do olho da sabedoria e equilibrar o julgamento com compaixão e não duras críticas e outras inadequações.

Fale-me de Şàngó, quando você puder transcender o seu ego e servir aos outros com compaixão.

Fale-me de Ìyàámi quando você for capaz de honrar as mulheres em sua vida e tratá-las bem e abraçar o lado feminino de sua própria alma.

Fale-me de Egbe Ợrùn / Ibeji quando você for capaz de conhecer e distribuir o amor universal.

Fale-me de Òșóòși quando você for capaz de repartir o alimento com o estrangeiro.

Fale-me Ǫbalúwayè quando você for capaz de identificar e cuidar das doenças do corpo e da alma de um semelhante.

Fale-me de Ìwá Pèlé (caráter) quando você puder realmente tratar os outros como você gostaria de ser tratado, porque você percebe…

…não há separação entre você e eu…

…exceto o que está em nossas próprias mentes.

Fale-me de Ọlódùmarè quando você tiver a certeza que a fonte existe e nos alimenta, que estamos interligados e que ninguém conseguirá cumprir seu destino sozinho.

Se você ainda não se considera capaz de aceitar este ensinamento, você deve retornar ao útero e tentar tudo novamente.
Èmi ni Isese.”

Texto:  Iyanifá: Iya Awo Fayele.

O mais importante não é saber a qualidade de seu Orixá, o mais importante é saber qual é o seu Orixá!

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Quando comecei frequentar como abiyan uma casa de candomblé a mais de 38 anos atrás, naquele tempo não se falava em “qualidade de Orixá” e nem sabíamos direito do que se tratava, o mais importante para os zeladores da época, era realmente procurar o caminho pelo qual o Orixá (supostamente) se apresentava no seu jogo, era comum um zelador confrontar o jogo com o de seu Babá ou de sua Ìyá ou um outro egbon, não havia vaidade que se vê hoje em dia, a preocupação era em estar seguro e amparado pelo seu axé, por isso que naquele tempo haviam muitas saídas de Iyawos semanalmente com grande festa, hoje em dia algumas casas adotaram não fazer festa para tirar Iyawo, parece que estão tirando Iyawo escondido, às segundas-feiras, pouco se vê alguém tirando nome de Iyawo, ou tiram Iyawo sem relevância dentro de festa da Casa.
Meu zelador dizia depois que me iniciei, que eu era de Oxalá moço, Oxaguian, aquele que carrega o pilão de duas bocas como referência e uma vara chamada atorí, “santo funfun” dizia ele, e me prescrevia sempre os interditos, talvez para eu nunca esquecer, tal sua preocupação comigo.(valha-me Babá mi).
Hoje em dia é assustador como as pessoas que ainda mal frequentam uma casa de candomblé já sabem até a qualidade de seu Orixá. É comum um simpatizante dizer que é de qualidade tal e come com tal Orixá, que jogou e o Pai ou Mãe de santo afirmou isso e aquilo que meu odú é forte, que nasci feito, etc, etc.
Sabemos que ao pé da letra que não existe “qualidade de Orixá”, que na verdade é a mesma energia que se divide, espalhando-se, formando vários cultos, variando de acordo com sua localização, região, cultura, dando nome a cidades, lugarejos, rios, lagos, matas, são divinizados, assim , encontraremos por toda Nigéria.
No Brasil, formou-se o panteão dos Orixás por energia regente/afinidade/culto, nasceu o termo qualidade para diferenciá-los nos seus fundamentos e até nação.
Hoje em dia, os “novos zeladores” não preservam mais a energia do Orixá em sí como fator primordial numa consulta, parece que não basta dizer para o neófito qual o Orixá que se apresenta, o Orixá que prepondera naquele momento, o Orixá que responde no jogo, Não! Eles querem ir além,( supostamente evidentemente) dar a qualidade do Orixá, como se isso fosse possível e necessário, sinceramente vira loteria, arrisca-se um palpite em nome de Ifá. Muitas consulentes saem dessas consultas com esses “novos jogadores de búzios” na certeza ilusória de que realmente saber qual é o seu Orixá  e a qualidade, podendo na grande maioria das vezes estarem completamente enganados, incorrerem num erro que pode chegar até a iniciação. Dá para imaginar tamanha irresponsabilidade?
Este neófito poderá passar a amar um suposto Orixá, estudar seu arquétipo, e ainda, seu orí irá comprar involuntariamente uma falsa verdade além de se convencer de forma categórica dessa falsa verdade. O Orí humano compra a história e muitas vezes não há como demove-lo do problema e nem convence-lo a cair ou voltar a realidade.
Esses novos zeladores pseudos jogadores de búzios, alguns até com título de Ifá Tal… aprenderam  a conversar com um Obí? Ou será que eles pensam que numa consulta através dos búzios pode-se afirmar a qualidade ou caminho de um Orixá?
O mais importante não é saber a qualidade de seu Orixá, o mais importante é saber qual é o seu Orixá!
O caminho ou a qualidade certamente virá a posteriori, na iniciação, na apresentação do seu Orixá, na vibração de sua energia  no apere.
Texto: Bàbá Fernando D’Osogiyan