O início mais importante.

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Esqueça os fundamentos, rezas e ofós. Você precisa mesmo aprender a entender, sentir e viver religiosidade.

Você acabou de se iniciar no Candomblé e quer se tornar um grande Egbomi, Babá ou Iyalorixá?

Vou me atrever a dar um conselho: Não se preocupe com nada disso. Não queira ser grande. Não tenha pressa de aprender os Ofós, Orikis, Gbaduras, Rezas, Fundamentos, Qualidades, Caminhos, Quedas de Búzios e nada dessas coisas… Continuar lendo

Sabão da Costa (Òsé Dudu)

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Origem do Sabão da Costa

No início do século XVI, navegadores ibéricos, por falta de conhecimento geográfico, passaram a designar genericamente toda a costa atlântica africana e seu interior imediato, como «da Costa», e naturalmente, tudo o que dali procedesse possuía a mesma denominação, ou seja, seria «da Costa», e isso não serviu apenas para o sabão, mas também outros artigos tais como: pano (da Costa), pimenta (da Costa), limo (da Costa), esteira (da Costa), etc.

Segundo estudos, de diversos historiadores, o sabão da Costa era importado pelo Brasil desde o ano de 1620. Nessa época ele era procedente de países como Gana e Camarões e, principalmente da Nigéria, grande produtor. O antigo Daomé (atual República do Benin) e Togo, também produziam sabão, o dito da Costa, que era trazido por escravos e seus algozes, os traficantes de escravos. Continuar lendo

Dia dos cablocos

2 de julho dia da independencia da Bahia e dia dos caboclos.                                                                               Na Bahia, se algo vai mal, o conselho que se dá, quando parece não haver outra solução, é “chorar no pé do caboclo”.

Tal expressão de uso corrente no jargão popular baiano é uma referência às preces, pedidos e promessas que são feitos na base do monumento do Campo Grande ou deixados na forma de cartas e bilhetes aos pés das imagens do caboclo e da cabocla nos carros emblemáticos do desfile do 2 de julho.

Na data em que se comemora a independência da Bahia, é para eles que os tambores tocam nos terreiros de candomblé. Nas tradições religiosas afro-brasileiras, os caboclos são reverenciados como seres encantados, afinal, já estavam aqui, eram os donos da terra, quando os africanos chegaram ao Brasil trazendo consigo os seus orixás.

Créditos: batuque do meu lugar

Èṣù é o princípio dinâmico de todas as coisas! É a chama viva da existência!

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Por esta razão não é possível conceituar esta divindade de maneira muito específica. Ele é o movimento da vida, é o Òjíṣẹ, o mensageiro divino, e não apenas dos Òrìṣà, mas de Olódùmarè, de Deus. É o guardião dos templos, das casas e cidades.

Foi Èṣù quem revelou aos homens o oráculo, o poder da comunicação com as divindades. É absolutamente impossível a consulta ao sistema de jogo de búzios, o mẹ́rìndilógún, sem a presença de Èṣù, sem suas vibrações intuitivas. Esta característica de ser o patrono do oráculo confere a Èṣù o poder da onisciência.

Por outro lado, Èṣù é quem nos traz à vida através do ato sexual, não sendo ele um Òrìṣà da procriação, mas do ato sexual em si. E esta sua face sexual, infelizmente, foi muito mal interpretada pelos missionários católicos que chegaram à África muito antes da diáspora Yorubá nas Américas. Assim, Èṣù foi inadequadamente associado ao Diabo do cristianismo, sendo relacionado à maldade e à perversão, quando, na verdade, Èṣù é a expressão mais viva da liberdade. Continuar lendo

Ọ̀ṣọ́ọ̀sí é o Òrìṣà da caça, mas também da agricultura

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Ele é, sem dúvida, um dos Òrìṣà mais queridos do Brasil. É um ícone no candomblé, na umbanda e em diversas religiões afro-brasileiras. E quais seriam as explicações para essa popularidade e afeição do povo brasileiro para com este Ọdẹ? São diversas e, na opinião deste autor, se perfazem numa conjunção de fatores históricos e sociais. Vejam:

A chegada de Ọ̀ṣọ́ọ̀sí no Brasil

O primeiro fator para a popularidade deste Òrìṣà se deve ao poder que aqui ele recebeu. Esta História remonta à formação do culto dos Òrìṣà no Brasil como religião. No Candomblé, Ọ̀ṣọ́ọ̀sí é o onílẹ̀ (senhor da Terra), e este título atravessou o Atlântico, tendo em vista que em território Ketu, hoje situado na República do Benin, ele era o patrono da mais importante família real local, a Aro, e lá sustentava o mesmo título. Vale dizer que foi o nome desta família que deu origem à famosa saudação a este Òrìṣà: ÒkèAro!, literalmente, “Oh Grande Aro!”. Pois bem, através do caminho (qualidade) Ọdẹ Ọni Pòpò (Caçador Rei dos Pòpò), que Ọ̀ṣọ́ọ̀sí se tornou a primeira divindade yorubá a receber culto no Brasil, no bairro da Barroquinha, Salvador-BA. O fato se deu em meados do Século XVIII e sob a tutela de Ìyá Adetá, sacerdotisa yorubá, da família Aro, a qual teria iniciado o culto a esta divindade em terras brasileiras. É certo que o culto deste Ọdẹprecedeu o de Intilẹ̀, mas foi seu contemporâneo na formação do Ilé Àṣẹ Ìyá Omi Àirá Intilẹ̀, primeira organização de culto aos Òrìṣà sedimentado no Brasil. Continuar lendo